Hoje, o nosso Blog abre a sua nova etapa da coluna “Vai encarar o Lalau?” Há algum tempo, vínhamos pensando em desafiar o professor Espedito Cardoso para nos encarar, independentemente das perguntas e dos assuntos que queremos abordar com ele. E, para nossa alegria, ele aceitou o desafio, com a sua simplicidade, e, sobretudo, com a sua coragem, como nós o conhecemos.
Espedito Cardoso é um professor conhecido nacionalmente, pelo seu trabalho na Educação, pelos seus livros publicados e pela sua forma de encarar as situações, sem medo de falar a verdade, “doa a quem doer”. Nos últimos anos, tem sido notável a sua capacidade de acompanhar e analisar os acontecimentos da política nacional, sempre com profundidade e argumentos fortes.
Inicialmente, Espedito, queremos agradecer a sua disponibilidade com que sempre foi colunista do nosso Blog e como colaborou para que este meio de comunicação representasse uma arma na mão e na voz do nosso povo, como também pela sua luta em benefício da liberdade de expressão. Para começar nosso bate papo, o que você gostaria de dizer aos nossos leitores, antes de nossas perguntas quentes?...
ESPEDITO:
Primeiramente, quero agradecer por esta oportunidade ímpar de expressar os meus sentimentos diante do nosso mundo. Eu, como diz Carlos Drummond de Andrade, graças a Deus, “tenho apenas duas e o sentimento do mundo”. E, com esse sentimento do mundo, eu alimento as minhas lutas, procuro não desistir do sonho de um mundo melhor e crio coragem para não me deixar vencer pelas “benesses dos “podres poderes.” Farei o possível, e prometo, falar abertamente, como sempre gosto de fazer. Não irei remoer mágoas, não direi nada que não possa provar, ou que a História não prove, nem falarei sobre coisas nem de pessoas que não mereçam referência alguma. O que discutirei aqui sempre será em nível de consciência política, jamais de cunho pessoal contra quem quer que seja. Pode ficar à vontade, pois aqui estou à sua disposição.
Primeiramente, quero agradecer por esta oportunidade ímpar de expressar os meus sentimentos diante do nosso mundo. Eu, como diz Carlos Drummond de Andrade, graças a Deus, “tenho apenas duas e o sentimento do mundo”. E, com esse sentimento do mundo, eu alimento as minhas lutas, procuro não desistir do sonho de um mundo melhor e crio coragem para não me deixar vencer pelas “benesses dos “podres poderes.” Farei o possível, e prometo, falar abertamente, como sempre gosto de fazer. Não irei remoer mágoas, não direi nada que não possa provar, ou que a História não prove, nem falarei sobre coisas nem de pessoas que não mereçam referência alguma. O que discutirei aqui sempre será em nível de consciência política, jamais de cunho pessoal contra quem quer que seja. Pode ficar à vontade, pois aqui estou à sua disposição.
01. BLOG: Bom, Espedito, não poderíamos começar este diálogo sem falar sobre o panorama nacional brasileiro, tanto na política como na economia. Como você está vendo o nosso Brasil nos dias de hoje?
ESPEDITO:
Lalau, como os mais de 85% da população brasileira, não poderia deixar de dizer que vejo o nosso Brasil, hoje, com muita tristeza, decepção e vergonha. Mas não deixarei sucumbir o meu sentimento de ESPERANÇA.
- Sinto uma incontida tristeza, diante do pesadelo em que se transformou o nosso sonho, tão acalentado durante mais de trinta anos – enfrentamos a Ditadura, a repressão e a negação dos nossos direitos e nunca desistimos, por mais pedregulhoso que fosse o nosso caminho. Na década de 1980, lá estávamos, como presidente do Diretório Acadêmico, do Campo da UFRN, de Caicó – na luta pela aprovação da Lei Dante de Oliveira, que resgataria as Eleições Diretas, seguindo com a campanha das Diretas Já, nas ruas do nosso País. Lembro-me de que, com apenas um ano e sete meses, minha filha estava nos meus braços, sob o causticante sol das ruas de Caicó, com um “pirulito” nas mãos e uma camisetinha branca com uma estrelinha no peito, gritando as suas primeiras palavras, que foram “LULA LÁ. Todos os meus amigos se lembram disso.
E a grande decepção que corrói a nossa alma começa por aí, e eu pergunto: onde estão aqueles que estavam juntos naqueles anos e naquelas lutas tão difíceis? Chegamos ao poder, fortalecidos por um sonho de um governo popular, mas, infelizmente, logo os nossos sonhos foram negados, e o que se viu foi um “governo populista”, que trata os pobres como mendigos, dando-lhes as migalhas amortecedoras de mentes, que só levam à dependência, à alienação e ao fanatismo. Enquanto as esmolas chegavam à casa dos mais pobres, eles conseguiram organizar a maior quadrilha institucional já vista na História da Humanidade.
E a minha grande vergonha é ver aquelas mesmas pessoas, hoje, nas ruas, empunhando bandeiras de um Partido, e não de um Projeto de Sociedade para o nosso País. Estão sedentas de poder a todo custo, da ganância por dinheiro e protagonizam a maior onda de corrupção, “nunca vista a História deste País”. Defendem ladrões e corruptos, como se defendessem o direito de roubar como uma coisa sagrada! Isto me enche de vergonha.
Mas a chama da ESPERANÇA fumega, incessantemente
Lalau: E o que eles, os seus amigos, falam para você? O que acham de sua posição?
ESPEDITO:
Eu sinto reações de todos os tipos. Alguns concordam comigo, porque também não se deixaram vislumbrar pelo fanatismo. Mas outros, aqueles se diziam mais coerentes, têm a cara de pau de me denominarem de “coxinha”, de “reacionário” e de “direita”. Isso não me incomoda, e sabe por quê, Lalau: Porque, se eu como coxinha numa lanchonete, compro com meu dinheiro, não roubei de ninguém e ainda estou colaborando com uma atividade profissional de uma pessoa, que também está ganhando sua vida com dignidade. Como e sobrevivo por causa do suor do meu trabalho. Sou reacionário, sim, mas no sentido de reagir contra todos estes desmandos e roubalheiras, que mancham as páginas de nossa História. Jamais me acomodarei nem me omitirei! E eu digo para eles que, se “ser de esquerda”, agora, é defender ladrão, prefiro ser chamado de “direita”. Afinal, o sonho e a dignidade não têm posição (em cima, em baixo, à esquerda, à direita, etc). O nosso sonho é feito de ideal, de honestidade, de dignidade, e jamais deixarei de lutar pelos meus ideais. Participei e participarei de todas as manifestações populares – sempre fui a pé, de ônibus ou de carona – não precisei de cachê para deslocamento, nem de mortadela para lanchar. Minha única “isca” que me tira de casa para ir às ruas é a consciência limpa, a liberdade de ir e vir e a de expressão, assim como a certeza de que só a nossa luta poderá reconstruir o novo Brasil.
Lalau: Espedito, eu sempre escuto os defensores do governo dizendo que “estamos trocando seis por meia dúzia”; que estamos “trocando o certo pelo duvidoso”; que os que vão ficar no “também são corruptos”, e assim por diante. O que você diz sobre isso?
ESPEDITO: Olha, Lalau, este discurso é tão contraditório e tem várias direções. Veja: primeiro, é um discurso autoritário e dominador – faz-se com que ninguém acredite mais em ninguém é discurso ultrapassado, que só interessa aos poderosos, que não querem perder as mordomias. Quanto mais o povo acreditar que nada pode fazer para mudar, mais a possibilidade de se manter a desgraça que aí está se amplia. Segundo, quando eles dizem que estamos “trocando seis por meia dúzia” e que os que ficarão “também são corruptos”, eles assumem abertamente que praticaram todos os atos ilícitos pelos quais estão sendo julgados. Terceiro, o “Fora, Dilma!” “Fora, Lula!” e “Fora, PT”, que ecoou nos quatros cantos do Brasil, foi apenas a primeira fase deste momento. Sempre dissemos que a faxina deve ser completa e que vamos continuar na luta, até exterminarmos, de uma vez por todas, esta RATAZANA que destruiu o nosso País!
AGUARDEM AS PARTES 2 E 3, DESSA GRANDIOSA ENTREVISTA.
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